
Fujifilm XE-2 em 2022
15/09/2022A fotografia de rua reflete a interação dos seres humanos com seu ambiente em um contexto rotineiro. As possibilidades de praticar esse tipo de fotografia podem ser encontradas em qualquer lugar, não é necessário procurar “cenários” específicos para isso, embora seja verdade que poderíamos facilmente cair em uma estagnação se fosse nosso próprio ambiente, por isso é importante exercitar a observação para estar atento e encontrar o impressionante dentro da rotina. Muitas vezes acreditamos que em uma cidade diferente seria mais fácil encontrar a fotografia, mas é mais importante encontrá-la onde quer que estejamos, experimentar outros pontos de vista, brincar com sombras, padrões, cores, reflexos, sempre há algo novo a ser tentado para encontrar aquela fotografia de impacto.
O principal problema ao praticar a fotografia de rua é, muitas vezes, não saber como reconhecer o que é fotografia de rua. Devemos lembrar que seu principal ingrediente é a espontaneidade e a naturalidade, um enquadramento que é, sem dúvida, cuidadoso e planejado, mas com uma ação que não está sob nosso controle.
A história da fotografia de rua anda de mãos dadas com a história da própria fotografia, já que esse experimento de Niépce Da janela de seu estúdio, ele estava inconscientemente tirando uma fotografia da rua. Nos primeiros anos do século XX, a fotografia de rua estava sendo feita, os grandes fotógrafos franceses retratavam a passagem do tempo e a rotina de Paris no início do século; equipados com câmeras de placas grandes que não permitiam muita caminhada e, devido à sensibilidade das placas, exigiam longos tempos de exposição, o que significava que o resultado eram grandes ruas vazias e belos jardins desolados.

A evolução do equipamento fotográfico, do filme, das sensibilidades e do tamanho do equipamento facilitou a vida dos fotógrafos de rua. Nossa primeira grande amiga foi, sem dúvida, a primeira Leica, uma câmera lançada em 1923 que era pequena, versátil e usava filme 135. E sim, acredite ou não, o que mais gostávamos nela era seu tamanho e baixo custo. Outro avanço foi o abandono do pó de magnésio nas lâmpadas de flash, o que tornou o equipamento ainda mais portátil e seguro.

Até o início da década de 1930, as pessoas trabalhavam com mídia em preto e branco, mas nessa década tudo mudou. O surgimento do Kodachrome em 1935 e do Agfacolor em 1936 trouxe a possibilidade de capturar cores, sem dúvida uma nova ferramenta criativa.
O boom da fotografia de rua começou em Nova York na década de 1930, tornando a cidade o epicentro do movimento e da própria fotografia. Grandes personalidades se desenvolveram, estudaram ou expuseram nessa cidade, onde o multiculturalismo, sem dúvida, contribuiu para o desenvolvimento da fotografia e para a diversidade de formas de ver.

Nos dias de hoje, é comum ver fotógrafos de rua nas grandes cidades e capitais culturais do mundo. O movimento, o grande fluxo de turistas, as pessoas ocupadas, as luzes e o caos, sem dúvida, fazem desses lugares os pontos preferidos para a fotografia de rua, mas se aprendermos a observar qualquer canto é digno de ser fotografado, aprendendo a encontrar o irrepetível em meio à nossa rotina diária. Agora também temos ferramentas que facilitaram nossa atividade, com equipamentos compactos, leves e tecnologicamente avançados, que, se os grandes mestres tivessem tido à sua disposição, certamente teríamos mais para ver deles.


